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Especial

Os melhores no Brasil em 2021 – Leonardo “mwzera” Serrati (2)

Jogador teve um 2021 com bons resultados individuais e um título

Leão é um termo utilizado pela comunidade brasileira de VALORANT para classificar aqueles que dão tudo de si para vencer. E não só pelo fato do rei da selva ser um dos significados do próprio nome, mas dizer que Leonardo “mwzera” Serrati é um dos maiores leões do cenário nacional não é errado pelo imenso desejo de conquistar que o jogador transmite a todos quando está competindo.

2021 foi o ano de consolidação para o jogador, que nos primeiros seis meses da modalidade espantou o Brasil e o mundo com a ousadia apresentada no servidor. Em uma temporada atípica para a equipe que representou, mwzera não deixou de ficar sob os holofotes, se mantendo constante individualmente e sendo destaque nas competições que disputou apesar dos resultados coletivos destoantes em relação a 2020. Ele ocupa a 2ª posição da lista do VALORANT Zone dos melhores jogadores no Brasil.

O 2º MELHOR NO BRASIL EM 2021

Os 10 melhores no Brasil em 2021 foram escolhidos com base nas listagens de melhores jogadores dos mais de 30 campeonatos apurados pelo VALORANT Zone no ano. Uma fórmula foi elaborada, com cada posição dos atletas nas tais listas um peso e as competições sendo divididas em cinco categorias, cada qual dando uma quantidade específica de pontos. Conquistas coletivas também foram contabilizadas.

mwzera se fez presente em nove listas de melhores jogadores, com direito a MVPs do VALORANT Masters Brasil, da 2ª fase da 2ª etapa do VALORANT Challengers Brasil (VCB) e da 1ª etapa da Copa Rakin 2021. Contando com os EVPs dos demais torneio, acumulou 508,6 VZone Points.

mwzera em 2021

  • Aorus League Brasil #3 – EVP
  • 1ª Fase VCB 1 – EVP
  • VALORANT Masters Brasil – MVP
  • 1ª Fase VCB 2 – EVP
  • 2ª Fase VCB 2 – MVP
  • VCB Finals 2 – EVP
  • 1ª Etapa Copa Rakin 2021 – MVP
  • 1ª Fase VCB 3 – EVP
  • 2ª Fase VCB 3 – EVP

Segundo números do thespike, nos últimos três meses de 2021, mwzera conquistou 213 de ACS, 141.8 de ADR, 1.01 de KD e 0.73 de KPR. No ano, conforme levantou o site, o rating do jogador foi de 1.37, o maior dentre todos os brasileiros, assim como ACS de 286.6, ADR de 178.2 e KPR de 0.99

Em uma autoavaliação da temporada, mwzera aponta que “até junho, julho, eu era o jogador mais constante no Brasil. Mesmo perdendo os títulos, eu conseguia ser o MVP. São números, mas depois desse período eu tive uma queda no meu desempenho também por coisa fora do jogo que me afetaram um pouco. O VCB para o segundo Masters e o Last Chance foram os meus piores campeonatos. Nunca joguei tão mal assim no VALORANT. No Champions eu consegui voltar a jogar bem, mostrar meu jogo e voltei a me sentir bem jogando“.

Eleito pelo VALORANT Zone com o melhor jogador em 2020, mwzera fala sobre voltar a ser listado no prêmio: “Não é soberba, mas não é surpresa para mim aparecer de novo”.

COMPETIÇÃO NA VEIA DESDE PEQUENO

Nascido em Santo André, cidade que compõe o ABC paulista, mwzera nutre o desejo pela competição desde pequeno. Como muito outros brasileiros, a primeira paixão foi pelo futebol, passando a se dedicar ao esporte tradicional. Já a trajetória de Leonardo nos FPS começou com o Blackshot, mas foi o Counter-Strike que fez o jogador se ligar sobre a oportunidade de competir nos esportes eletrônicos.

Assim como muitos outros personagens dos esports, mwzera teve que vencer barreiras técnicas em relação a um computador e o ceticismo por parte de familiares devido a complexidade de fazer as gerações mais antigas entenderem ser possível competir jogando videogame.

O sucesso de brasileiros no Counter-Strike, como Marcelo “coldzera” David, foi primordial para que mwzera decidir em seguir a carreira que escolheu. Inclusive, o bicampeão de Major inspirou mw no próprio nick com o sufixo “zera”. Apesar de ter começado no gênero FPS via Blackshot e CS, foi só no Zula que Leonardo começou a competir, batendo na trave em se classificar para o mundial da modalidade em 2018. Foi, inclusive, nesse jogo que o atleta criou relação com personagens que também seguiram para o VALORANT, como Jonathan JhoW” Glória e Walney Jonn” Reis.

Antes de se dedicar por inteiro ao VALORANT, mwzera também passou pelo Rainbow Six, acompanhado por nomes que também migraram para o FPS da Riot Games. No FPS da Ubisoft, competiu por cerca de uma temporada, o que o ajudou “se adaptar aos bonecos diferentes” já que também se trata de um título que possui personagens com características únicas.

Gamelanders e FURIA
Bruno Alvares/Riot Games

2020 EMPILHANDO TÍTULOS

O início de mwzera pelo VALORANT não poderia ter sido melhor. Atuando ao lado de jogadores que já conhecia por experiências em outros FPS e masterizando a agente que ditou o ritmo do competitivo nos primeiros seis meses do jogo, Leonardo foi determinante para o sucesso da Gamelanders em 2020.

A estreia na modalidade, e também na equipe, já foi com o título da primeira edição da Copa Rakin. Posteriormente, troféu no torneio que abriu o circuito VALORANT Ignition Series no país, o Gamers Club Ultimate. Daí em diante, mais cinco vezes subindo no degrau mais alto do pódio, com destaque para a última conquista: First Strike, o primeiro torneio realizado totalmente pela Riot e que aconteceu presencialmente em São Paulo.

2021: INDIVIDUAL FORTE, MAS TÍTULOS ESCASSOS

Por conta de tudo o que construíram em 2020, Gamelanders e mwzera começaram a temporada passada na crista da onda, ou melhor, hypados. Esse, segundo o jogador, era o sentimento dentro da própria equipe: “Estávamos hypados para ganhar tudo em 2021 até porque sabíamos que seria o ano que teriam os campeonatos internacionais”.

Mas se no ano anterior, o título veio logo na estreia, o mesmo não aconteceu em 2021. A primeira aparição da Gamelanders na temporada foi na seletiva para a fase inaugural do recém-lançado VCB, mas com o time sendo superado pela FURIA e ficando de fora do torneio. Segundo mwzera, o resultado fez o time se mexer

O resultado abaixo do esperado não abalou a Gamelanders. Prova disso é que, entre fevereiro e março, a equipe se classificou para o VCB, obteve a vaga para o Masters regional e disputou duas finais. Em ambas, contudo, bateu na trave e foi vice: Aorus League Brasil #3 e o Masters Brasil.

Quanto a Aorus, mwzera apontou que o time entrou “um pouco desligado nessa final” contra a SQUAD5 (atual Sharks). Na visão do jogador, o campeonato estava fácil para a Gamelanders, “estávamos batendo em todo mundo”, mas na final “acabamos perdendo o primeiro mapa, Bind, que era o nosso melhor. Ascent não éramos tão bons e estávamos contando com uma série cheia. Entramos um pouco desligados, perdemos o nosso mapa e eles jogaram melhor na Ascent também“.

No Masters, a derrota foi para a Team Vikings por 3 a 0, placar este que surpreendeu toda a comunidade. mwzera não tem “dúvidas que estavam mais preparados do que nós, taticamente falando. Na época, a gente não tinha tanto essa visão. Taticamente estavam a frente, porém perdemos entre sete e oito clutches no jogo, o que faz muita diferença no VALORANT porque você perde esses rounds e joga os eco. Jogamos muitos ecos e eles puniram muito a gente. Não davam brecha para ganharmos os econômicos”.

Contudo, o jogador vê que apesar de 3 a 0 parecer um espanco, não foi o que aconteceu nessa final: “Foi um jogo bem difícil porque tiveram mapas que foram 13 a 9 para eles e o último chegou a ser 13 a 11. Perdemos muitas situações de clutch. São detalhes que contam”.

Fotos: Bruno Alvares & Cesar Galeão/Riot Games

A Gamelanders seguiu forte nas fases dos Challengers seguintes, mas quando chegava nas partes dos campeonatos classificatórios para os Masters, a equipe não conseguia performar o necessário para obter as vagas. Nos VCB Finals das últimas duas etapas, o time acabou não chegando muito longe.

Para mwzera, no VCB “que dava vaga para Islândia perdemos esse classificatório no jogo contra Sharks. Abrimos boa vantagem e tomamos a virada. Psicologicamente ficamos, sim, um pouco abalados. Já tínhamos jogo no dia seguinte, contra a Havan, que mudaram praticamente tudo para nos counterar. A gente estava com o psicológico abalado. Sem tirar o mérito dos caras, que jogaram melhor que nós, acho que se a gente ganha da Sharks, que era o nosso carrasco, daria mais confiança e seria um jogo totalmente diferente contra a Vikings, valendo a vaga”.

Ainda em 2021, mwzera disputou outra decisão com a Gamelanders, a da 1ª etapa da Copa Rakin . Diferente do que aconteceu na Aorus e no Masters, dessa vez o jogador e a equipe, enfim, soltaram o grito de campeão no ano. Tal título, segundo o jogador, “deu uma esperança sim” para o prosseguimento da temporada: “Falamos que estávamos no caminho certo”.

Segundo o atleta, o que ajudou para tal campanha vitoriosa foi a mudança no elenco que aconteceu antes do torneio. Na época, Lucas “BELKY” Belchior foi contratado para ser o substituto de Jonathan “JhoW” Glória: “Acabou que, naquele momento, estávamos com um clima bom. Era um time novo, vontade de vencer, todo mundo tinha virado a página. Estávamos tendo um pensamento bom dentor do jogo. Acabou que ganhamos a Copa Rakin, ganhamos da Keyd e da FURIA. Fizemos uma boa campanha”.

Contudo, na sequência, a equipe novamente sentiu o gosto da não classificação para um dos internacionais que aconteceram em 2021 ao ir bem no VCB Finals para o Masters de Berlim. O atleta afirma que, “nesse campeonato, a gente estava com um problema muito grave em relação a Breeze. Não lembro porque estávamos insistindo muito nesse mapa. Não sei se era por causa de mim, que gostava muito do mapa. Estávamos querendo muito jogar esse mapa e acabou que fizemos umas composições estranhas contra a Keyd. Acabamos tomando uma surra para FURIA e vínhamos de derrota contra a Sharks na Breeze”.

Meio que insistimos no erro, não quisemos deixar o mapa de lado e focar em outro que, possivelmente, poderíamos ser melhor. Contra a FURIA, se eu não me engano, a Bind a gente ganhou e a Haven foi o segundo. Perdemos alguns clutches e na Breeze foi uma surra mesmo. Contra a Keyd, começamos impondo o nosso ritmo, mas como a composição era meio ruim, tinha muito gap, eles aproveitaram muito bem. Vencemos a Bind na prorrogação e, na Haven, o heat acabou com nós. Coletivamente, jogaram bem, dera suporte para ele mater 38, mas isso desequilibra uma partida. Imagina o tanto de round que ele ganhou”, completa.

A última chance para mwzera se classificar para uma competição internacional junto da Gamelanders foi o Last Chance latino-americano, que dava vaga para o VALORANT Champions. O time começou bem o torneio e chegou até a semifinal, perdendo para a FURIA. Sincero, o atleta diz que nesse confronto “entreguei muito, principalmente na Ascent, que era um mapa que estávamos muito bem nos treinos. No campeonato, jogamos contra a Six Karma e impomos o nosso ritmo. A galera comenta até hoje que eu joguei mal de Skye, mas eu estava mandando bem no streinos. Chegou no campeonato, simplesmente entreguei. Eu costumava jogar bem contra FURIA, me inspirava. Os caras jogaram melhor e eu entreguei aquela Ascent”

Questionado sobre o que acha que faltou para a Gamelanders repetir em 2021 os feitos da temporada anterior, mwzera fala que “foi de tudo um pouco. Querendo ou não, quando você vai tendo resultados negativos, você quer mudar e faz muita coisa no emocional, não pensa racionalmente”.

Lance Skundrich/Riot Games

O CONVITE INESPERADO

A derrota no Last Chance significava que mwzera não iria realizar, em 2021, o sonho de competir fora do país até que, após chegar em casa da competição, recebeu uma mensagem do então treinador da Vivo Keyd Pedro “Koy” Pulig, o qual Leonardo conhecia da época de Zula pelo comandante dos Guerreiros ter o vencido na final do principal torneio da modalidade em 2018.

Recebi uma mensagem do Koy para saber se eu podia conversar com ele. Aí falei pra mim mesmo ‘será que é isso que estou pensando?’. Passou na minha cabeça (que iriam me chamar). Comecei a trocar ideia com ele, que começou a me explicar a situação da Keyd. Eles me chamaram pra fazer o teste e disseram que queriam jogar comigo e eu estava a fim de jogar com eles. E o Koy é um cara muito foda, sempre admirei ele. Isso ajudou bastante e foi bem inesperado”, revela.

Segundo mwzera, o que o levou a aceitar o convite foi o fato de que estava sendo chamado pela Keyd para disputar o Champions. O jogador dispara que não “estava pensando só no meu lado. Eu também estava pensando em ajudar os meninos, entregar o melhor para eles. Eu sabia de algumas coisas, eles sabiam de outras e, se uníssemos isso, daria bom. Eu me adapto muito fácil as coisas. Nunca entramos em discussão de eu atuar como Duelista e não precisava porque os caras têm um Duelista top. Eu só precisava aprender essa função de iniciador e ser mais flexível durante esses meses. Foi o mês mais insano da minha vida. Nunca treinei tanto na minha vida. Se não fosse isso, eu era muito cru jogando de Sova e isso me ajudou bastante”.

Sincero, mwzera diz que disputar o Champions “foi a realização de um sonho“. Relembrando as passagens em outros jogos, o jogador lembra que “chegava nesse momento de jogar o mundial, acontecia alguma coisa. Tanto que chegamos a ganhar, em outro jogo, a seletiva e não jogamos o mundial. Fiquei meio puto com isso porque, na minha vez, eu não ia jogar. Acabou que aconteceu naturalmente. Parei de pensar nisso. Com certeza foi a realização de um sonho, ainda mais que o Champions é o maior torneio do VALORANT”.

VITÓRIA MORAL

As estreia de mwzera pela Keyd no mundial de VALORANT não poderia ter sido melhor: a equipe venceu a Acend pela primeira rodada do Grupo A. Contudo, por conta de um bug explorado por JhoW na Breeze, a partida, inicialmente, teve o placar revertido a favor da equipe europeia. Mas, depois de muita pressão por parte da comunidade, a Riot decidiu refazer o jogo, mas com os europeus tendo vantagem no placar.

Não fugindo da pergunta, mwzera afirma que o acontecimento “mexeu com o nosso psicológico. Foi um pouco chato essa situação porque a gente, até então, não sabia o que ia acontecer. Ficamos nos desgastando, sem treinar e tivemos que fazer o jogo de novo, além de jogar contra a X10 no dia seguinte. Isso desgasta o jogador, acaba que vai mudanro algumas coisas na mente da galera”.

Quando ganhamos da Acend, fomos do céu ao inferno em questão de horas. Ganhamos o jogo, comemoramos muito e fomos para o hotel já pensando no próximo jogo. Aí veio o banho de água fria. Não gosto de usar isso como desculpa porque os cara da X10 tiveram mérito na vitória contra nós. Era o campeonato da Acend. Passaram e foram campeões“, completa.

BOLD PREDICTION

Da tradução literal, bold prediction significa “previsão ousada”. Este termo é utilizado em pesquisas com jogadores que se destacaram e dão palpites de quem será um dos possíveis nomes que tem de tudo para aparecer entre gigantes em breve. Categórico, mwzera fala sobre Cauan “cauanzin” Pereira, cotado para defender o Ninjas in Pyjamas neste ano: “Ele vai surpreender muito“.

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