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Sakuras Esports: A história de sucesso do grupo que quer “trazer oportunidades e preparar meninas”

Veja também quais são os próximos planos do projeto nessa entrevista com uma das fundadoras

Arte por VALORANT Zone

Sakuras Esports: A história de sucesso do grupo que quer “trazer oportunidades e preparar meninas”

É inevitável cravar que um crescimento de 2.640% representa algo impressionante em um intervalo de pouco menos de três anos. De forma crua e simples, este é o resumo do que a Projeto Sakuras, agora conhecido como Sakuras Esports, passou desde a sua fundação, em 2018, até os dias atuais em diversas áreas do esporte eletrônico.

Lá atrás, quando a atual comunidade de VALORANT nem sonhava com um FPS sendo desenvolvido pela Riot Games, um grupo de cinco meninas deu início a um projeto que se tornou grandioso para o cenário dos esportes eletrônicos. Agora, são 132 colaboradoras fazendo parte da staff, além de outras 278 ou 332 (as próprias organizadoras perderam a conta) que estão no Sakuras Aurora.

Para contar esta história, o VALORANT Zone ouviu Juliana “Moon” Alonso, fundadora do Sakuras Esports ao lado de Thais “Misa” Queiroz. Na época, o projeto nasceu com o objetivo de ajudar as meninas em League of Legends a melhorar o nível do jogo. Como principal gatilho, a “ajuda” dada por homens que, na verdade, só tinham o interesse fazer elojob – serviço, geralmente pago, para subir a conta de um jogador no modo competitivo do MOBA

“A gente começou em 2018 como um grupo de Whatsapp. A Sakuras nasceu da insatisfação tanto minha quanto da Misa sobre algumas situações que a gente presenciava no dia a dia dos esports. Frequentemente víamos homens se oferecendo para ajudar, mas essa ajuda era para melhorar o elo e não um “vou te ensinar a jogar”. Na nossa percepção, você entrar na conta de uma pessoa e jogar no lugar dela não é ajudar”, disse Moon.

O excelente propósito do pequeno grupo de mulheres acabou ficando de lado temporariamente depois de discussões fazerem diversas meninas que estavam presentes no grupo se retiraram. No entanto, um projeto que nasceu com o objetivo de auxiliar a comunidade feminina no cenário não poderia ficar de lado devido a pequenas discussões.

Moon revela que, alguns meses depois do término do projeto, uma mensagem de uma jogadora a inspirou a retomar com a Sakuras: “Era uma pequena atitude que fazia a diferença na vida de alguém”, disse. Por isso, não tardou a procurar Misa para elas reatarem todos os laços anteriores e voltarem a ativa em dezembro de 2018.

“A primeira iniciativa de fato foi o primeiro campeonato da Sakuras, também em dezembro de 2018. Nossa intenção é essa: trazer oportunidades e preparar essas meninas para as oportunidades assim quando for possível”, confessou.

DISTINÇÃO DOS CENÁRIOS

Apesar de se fazer mais do que presente em VALORANT, principalmente depois do Sakuras Ascent, Moon afirma que o início no League of Legends não foi uma escolha, mas sim pela praticidade de já estar presente na cena com as outras colaboradoras que deram o pontapé no projeto.

De qualquer forma, iniciar em outra cena competitiva serviu para que Moon conhecesse de perto e conseguisse notar a diferença entre um cenário competitivo e outro. Para ela, isso é evidente no dia a dia das meninas, que deixaram de sofrer “casos diários de machismo e coisas ruins acontecendo”, mas reitera que isto está longe de chegar ao fim, até mesmo no VALORANT.

“Não acho que elas não ocorram no VALORANT, mas acho que a frequência no LoL era muito maior. Não foram muitas vezes que as pessoas foram ruins comigo dentro do jogo (VALORANT). Aconteceu um caso de assédio que me marcou e eu saí da partida chorando porque fiquei muito mexida. O resto é homem enchendo o saco e homem enchendo o saco a gente vai ter em qualquer lugar”, disse.

Tendo vivido experiências que só mulheres possuem o conhecimento empírico para contar, Moon se mostra otimista com a cena de VALORANT, principalmente pela forma como o jogo se mostrou neste início de cena competitiva. A principal diferença, por sua vez, foi mais notada no incentivo dado pela Riot Games, como a criação da Game Changers.

Moon acredita que estes sinais de investir no cenário competitivo feminino foram fundamentais para que mulheres e organizações começassem a olhar para o VALORANT com um olhar mais carinhoso. Outro ponto levantado por ela foi a possibilidade de as tags poderem utilizar duas equipes em um mesmo torneio, desde que uma fosse feminina.

PUNIÇÕES MAIS SEVERAS E OLHAR PARA O FUTURO

A realidade bate a porta de Moon e de toda a comunidade feminina, no entanto, ao perceberem que a Riot Games poderia ter uma postura um pouco mais incisiva em relação aos ataques sofridos por elas durante as partidas. Para salientar isso, Juliana Alonso diz não ter lógica a desenvolvedora não banir permanentemente pessoas que cometem crimes.

“Faltam punições mais rígidas. Concordo que o uso de cheat atrapalha a experiência competitiva, mas acho que cometer um crime… Assédio é crime, ameaça de estupro é crime. Deveria ser punido de maneira igual. Se eu bano permanentemente o IP de uma pessoa que comete uma fraude pra ganhar vantagem, por que eu não executo a mesma punição para uma pessoa que está assediando uma mulher? Ainda existe dois pesos e duas medidas”, disparou Moon.

Tentando combater a enxurrada de toxicidade no cenário feminino e estimular ainda mais as mulheres no VALORANT, a Riot Games divulgou no último mês a criação do Game Changers. O circuito, voltado exclusivamente para a cena das mulheres, foi visto com muito bons olhos por Moon, que enxerga isso como uma “conquista enorme” para todas as mulheres, principalmente do Sakuras Esports.

Isso fez com que a desenvolvedora fizesse um investimento real no cenário feminino, apoiando a comunidade e pequenos produtores de torneio. Fazendo um mea-culpa, Moon revela que não acreditava que essa mudança seria possível, mas recebeu isso como uma grata surpresa.

“Realmente não imaginava que esse tipo de coisa poderia acontecer. Dei uma entrevista em 2019 onde me perguntaram se eu esperava que a Riot fosse fazer alguma coisa pelas mulheres e eu respondi que se eles tiveram nove anos e não trouxeram nada até então, duvidaria muito que fossem fazer agora”, confessou a fundadora do Sakuras Esports.

Para ela, isso fez com que o VALORANT já começasse com “o pé direito” e se tornasse uma coisa de extremo positivismo tanto para ela quanto para todas as mulheres do cenário competitivo. Hoje, Moon diz perceber o quanto isso chegou para mudar completamente o esporte eletrônico e incentivar as mulheres de que todos os esforços valem a pena.

FUTURO DA SAKURAS

O Sakuras Ascent foi o primeiro torneio brasileiro a ser apoiado pelo programa Game Changers no Brasil. No entanto, Moon confessou que alguns erros foram cometidos, mas que eles já foram anotados e serão corrigidos em um possível próximo evento. Agora, o objetivo é pegar tudo que deu certo na competição e levar para os próximos projetos.

Revelando detalhes sobre o plano para o futuro, Moon diz que a expectativa é que o Sakura Ascent não pare em apenas uma edição, mas que todo um circuito seja concluído. Segundo ela, existe um planejamento para realizar mais três torneios ainda neste ano, mas que precisa de apoio para que isso aconteça.

“O Sakuras Ascent foi concebido como um circuito. O planejamento é 2021 é de realizar três torneios como se fossem classificatórios e a posição de cada time ela soma pontos para trazer um torneio no final do ano. Mas para que a gente consiga fazer isso a gente precisa muito de apoio e patrocínio”, ressaltou Juliana.

Mas o Sakuras Esports não é formado apenas por mulheres que organizam torneios de VALORANT, mas também por um grupo de mulheres dispostas a se ajudar em todo os âmbitos possíveis do esporte eletrônico. Por isso, elas contam também com o Sakuras Aurora, que é voltado para as meninas que fazem stream.

De acordo com ela, o mundo das transmissões pode ser um tanto confuso para quem está começando. Principalmente para quem deseja entender melhor sobre os horários de transmissão, gerenciamento de mídias sociais e todos os outros planos que envolvem o mundo das streams. Por isso, elas buscam ajudar umas às outras para conseguir fazer isso da melhor forma possível.

“Se você é streamer por hobby ou quer se profissionalizar, a gente tem um lugar para você. Ele é uma comunidade com a intenção de apoiar e trazer visibilidade e profissionalismo para as meninas que fazem stream. A gente trabalha como uma comunidade que se ajuda, conversa e ensina. Existe diálogo entre a Sakuras, embaixadoras do projeto e meninas do Aurora”.

O futuro da Sakuras, independentemente do que aconteça, tem de tudo para ser o mais próspero possível. O grupo que saltou de cinco colaboradoras para 132 na staff está com a agenda cheia de planos para conseguir crescer ainda mais entre as mulheres. Por isso, Moon utilizou a famosa frase de “novidades em breve” sobre um novo projeto de apoio para as mulheres.

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